Pedaço do coração de Itália no Brasil
Quem passa por Caxias do Sul, deve desde logo esquecer a ansiedade pelo litoral e mergulhar no clima sentimental do povo desta cidade, que mistura várias gerações de colonizadores italianos, portugueses e alemães. O turista deve, antes, respirar a história da imigração, viajar de volta no tempo e sentir-se como um gringo da região de Veneto de 1870. Desfrute não só de uma infinidade de pratos de polenta e das massas genuinamente italianas, mas também dos grelhados (destaque para a carne de novilho assada numa grelha, no chão, à moda gaúcha) e, ao mesmo tempo, beba muito vinho, cante e dance, com os locais, as mais ancestrais
e doces cançonetas.
É neste cenário que acontece a Festa da Uva, um dos maiores espetáculos visuais do Brasil, além do Carnaval. É lá que duas histórias de imigração se entrelaçam e se confundem: a dos portugueses, os primeiros a chegarem às inóspitas serras da época, com a dos italianos, que vieram depois, em número muito maior. Com alguns desses portugueses, os italianos aprenderam a cultivar a uva, a fazer os barris
e os vinhos.
Foi um português, Joaquim Pedro Lisboa, que, mais de um século depois da histórica imigração, foi o fundador do Parque Temático da Festa da Uva, que vem a ser hoje o grande �monumento� de preservação da história dos italianos no Brasil. Mais do que uma paixão, esta celebração é um acontecimento carregado de simbolismo e representa a força e a fé de todos os colonos que descendem de imigrantes no Brasil, não apenas os italianos.
A saga de avós e bisavós têm sido preservadas e subsistiram, por mais de um século, em cada objeto rústico das cozinhas ou dos quartos bem conservados dentro das casas de pedra dos avôs; e de emoções também preservadas em receitas de geleias, chocolates, queijos, petit-fours e macarrões; na música, na ingenuidade do olhar e do falar e na extrema generosidade com a qual se recebe os visitantes.
Neste verdadeiro túnel do tempo, é tão possível fazer, em simultâneo, um passeio de Carretão (o carro usado antigamente para colher as uvas no meio do parreiral) e percorrer trilhas inesquecíveis como praticar desportos como a canoagem, em regiões de rios e belas montanhas ornamentadas com a típica vegetação de pinheiros de Araucária.
É nas ruas principais da cidade, no interior do recinto do Parque de Eventos (o maior da América Latina), que decorre um dos maiores espetáculos do Brasil, além do Carnaval e da festa de Parintins (o Boi Bumbá, de Manaus). Imagine juntar a técnica de montar desfiles, reunindo mais de 2000 pessoas, com fantasias, alegorias, adereços e gigantescos carros alegóricos, mas com um enredo muito mais do que familiar aos europeus: a cultura da uva e do vinho.
O maior sonho de toda a menina do Sul é alcançar o título de rainha da Festa da Uva, como Roberta Veber Toscan, ou então o das princesas Aline Casagrande e Kelin Zanette. Já o dos rapazes é vencer as inusitadas competições das olimpíadas locais, como a corrida de corriola, o arremesso de queijos, entre outras �modalidades�.
É difícil não se encantar e não se envolver com a história destes italianos que ergueram, literalmente, uma cidade pedra sobre pedra, construindo casas de arquitetura colonial que, ainda hoje, são muito apelativas para quem passa pela Estrada dos Imigrantes.
Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Brasil em 1870, a maioria vinda da região de Vêneto, no Norte da Itália, numa época em que o governo do Brasil estava a estimular a imigração europeia, após a abolição do tráfico de escravos no país, em 1850. Tomando o lugar da mão de obra escrava, esses italianos vieram para uma terra que chamavam �Mérica�, e vinham carregados de sonhos, para encontrar um �paraíso de fartura e dinheiro�. Só que encontraram outra realidade, e nenhum apoio.
Chegaram sem nada, a não ser os pertences pessoais, nas suas malas de papelão, e tiveram que construir casas com as pedras que encontraram no solo _ tendo, com isso, criado um estilo de arquitetura colonial que é mantido, por tradição, até hoje: algumas casas ainda são de madeira mas todas têm um um porão, feito de parede de pedra, na parte de baixo. Como o solo era seco e pedregoso, e o clima era frio, só conseguiram cultivar
a uva e o milho.
Hoje são vinicultores mais por gosto e tradição, pois Caxias do Sul transformou-se numa das mais prósperas regiões industriais no sector de metalurgia do Brasil. E é lá que se encontram empresas de fabricação de autocarros e camiões que exportam em grandes quantidades até para a China e os países árabes. Mas nada disso importa aos ricos empresários do local, se não tiverem a uva, o vinho e a polenta à mesa!
Em Caxias do Sul não deixe de visitar o Museu do Imigrante e a Igreja de São Pelegrino, que tem frescos pintados pelo célebre artista plástico italiano Aldo Locatelli. É uma oportunidade para conhecer as obras primas do artista, que tem obras expostas também em Itália.
A cidade também é muito procurada pelos amantes do blues, e é onde se realiza anualmente o maior festival de blues da América Latina. Para passar uma noite agradável, vá até ao Mississípi Delta Blues Bar e sinta esse espírito do verdadeiro blues do Mississípi, que fica na Rua Coronel Flores, 810, Sala 115, Prédio Moinho da Estação de São Pelegrino. Tem um famoso cardápio de bebidas típicas do Sul dos Estados Unidos.
Num segundo momento, o turista já pode partir em direção às praias.
E a partir de agora irá deparar-se com um cenário totalmente diferente das praias do litoral do Nordeste e Sudeste do Brasil. A cerca de 100 km de Caxias do Sul fica o município de Torres (RS), onde a natureza dá um show de beleza, magia e grandiosidade. É um lugar único:
misto de praias, morros, falésias, furnas, dunas, ilhas, rios e lagoas. Ela é conhecida como a mais bela praia gaúcha e uma das mais belas do país.
Localizada entre o mar e a Serra Geral e na divisa com Santa Catarina, Torres está a 200 km de Porto Alegre e a 280 km de Florianópolis, sendo o acesso por rodovias asfaltadas. Faz divisa do estado do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. É ali que se encontra a Ilha dos Lobos, local onde lobos marinhos vão acasalar entre julho e novembro, e o Parque da Guarita, projetado por Burle Marx.
Mais ao sul de Torres, também a menos de 100 km de Caxias, pode visitar Arroio Teixeira, um dos balneários que compõem a orla marítima de Capão da Canoa. Uma bela praia para quem não dispensa o visual da natureza, e a vizinha Capão traz muitas opções de serviços e diversão para os turistas.
Com aproximadamente 35 mil habitantes, a cidade recebe na temporada de veraneio cerca de 200 mil pessoas. Irresistível no Verão, Torres é encantadora o ano todo, pois além da natureza exuberante, a cidade tem um rico património histórico e cultural e é a praia gaúcha que recebe o maior número de turistas estrangeiros
o ano inteiro.
São 23 km de praias, que são intercaladas por três morros de formação rochosa: Torre Norte (Morro do Farol), Torre do Meio (Morro das Furnas) e Torre Sul, que deram origem ao nome da cidade. Apenas no Morro do Farol é possível subir de carro, por via asfaltada. Nos outros, as caminhadas por trilhas são um convite para a integração harmoniosa com a natureza. Do alto dos morros dá para admirar a imensidão do mar e a beleza da cidade. E de agosto a setembro, os visitantes têm grandes chances de avistar baleias francas e os seus filhotes.
As praias mais movimentadas no verão são a Praia Grande e a dos Molhes. Além do banho de mar e de sol, são muito procuradas por quem gosta de caminhar na areia. E é lá que ocorre a maioria dos eventos desportivos e culturais no verão. Torres é, sem dúvida, um excelente destino turístico para quem gosta de praia e aventura.
No veraneio, os banhos de mar e de sol são os preferidos, mas para quem gosta de Ecoturismo e desportos radicais ainda é possível praticar surf, kitesurf, canoagem, jet sky, lancha, rapel, escalada e paraglider (com oportunidade de vôo duplo), entre outros.
No final de abril ou início de maio, a cidade realiza o Festival Internacional do Balonismo, mas os passeios de balão ocorrem em qualquer época. Já para os apaixonados pelo surf, as ondas podem chegar a três metros, sendo um dos melhores picos da costa gaúcha. Para quem está à beira-mar, os surfistas dão um belo show com as suas manobras radicais. E para quem nunca subiu uma prancha, mas quer experimentar a sensação de deslizar sobre a água, é só procurar as escolas de surf da cidade.
Bandeira Hotel
Bergson Executive Flat
Blue Tree Towers Caxias do Sul
Coophotel
Cosmos Hotel
Excelsior Hotel
Hotel Ópera
Hotel Piacenza
Hotel Pousada Caxiense
Intercity Hotel
Mercure Apartments Caxias do Sul
Pérola Hotel
Personal Royal Hotel
Pousada do Isaac
Volpiano Hotel
Bela Vista Parque Hotel
Hotel Fazenda Vale Real
Pousada Estrada do Imigrante
Pousada Memorial D�Itália
Pousada Le Charme de la Ville
Pousada Casa Verde
Samuara Hotel
Casa Di Paolo
Rua os 18 do Forte, 454
Oferece o melhor em massas e grelhados, tudo no mais autêntico estilo da gastronomia italiana. Fetuccines, nhoques e polentas variadas, além de uma carta exclusiva de vinhos.
Cantina Lunelli
Centro, 1767
É considerada a melhor cantina da serra gaúcha e tem como objetivo fornecer uma culinária italiana autêntica e genuína, tanto para turistas quanto para os nativos, que se deliciam com as polentas e os vinhos da casa.
La Barra
Rua Coronel Flores, 810, São Pelegrino
Tendo o Uruguai como inspiração, este restaurante proporciona um ambiente diferenciado e boa comida.
Chateau La Cave
BR-116, Km 143
Oferece comida requintada e vinhos de produção própria.
Quem preferir os campings e albergues pode ficar tranquilo. As cidades do Sul deram espaço a este tipo de hospedagem por ser um dos preferidos dos turistas estrangeiros que visitam o Brasil.
Moeda
Real
Idioma
Em Caxias do Sul, além do português também ainda se fala, especialmente entre os mais velhos, um dialeto derivado da língua vêneta ou seja, o dialeto vêneto rio-grandense, chamado por muitos de talian. Este dialeto é encontrado no sul do Brasil e na serra espírito santense.
Documentos
Passaporte / Bilhete de Identidade
Fuso horário
- 2 horas
O clima é temperado, com verões amenos, invernos relativamente frios e geadas frequentes. Pode nevar nos meses mais frios, mas geralmente com pouca intensidade. A temperatura média anual é de 16,5�C. Os meses mais quentes são janeiro e fevereiro, com média de 21�C, enquanto os mais frios são junho e julho, com média de 12�C.